Farewell DEFENDER

Antes de mais, preferências automobilísticas à parte, este artigo não vem de qualquer maneira puxar o título de o “the best 4×4 by far” ou algo parecido, mas apenas e só assinalar o fim de um ícone, o fim de (praticamente) 7 décadas de tradição automóvel…

Estamos em 1947, no pós II guerra Mundial, e o engenheiro britânico Maurice Wilks, segundo reza a história, desenha nas areias de Red Wharf Bay um esboço daquele que seria o marco do 4×4 britânico e um dos mais emblemáticos do mundo! Inspirado no Jeep Willys americano e com o excedente de materiais proveniente do esforço de guerra, nomeadamente alumínio, muito alumínio, estava encontrada a fórmula para desenvolver aquele que, dois milhões, sim leram bem, 2 MILHÕES de unidades depois será recordado para sempre como UM dos grandes 4×4’s.

O “Centre steer”, tal como o nome indica, tinha o volante ao centro do veículo, foi o primogénito, a semente que originou tudo e foi desenhado essencialmente para ser um veículo rural.

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O “Huey” (nome com que foi carinhosamente baptizado) foi o primeiro veículo pré produzido e assistimos assim ao nascer e ao desenvolvimento da marca através dos Séries I, II e III e posteriormente o 110 e o 90 que no início dos anos 90 entretanto muda de nome para Defender ficando tal como o conhecemos actualmente.

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A história de vida do Land Rover passa desde ser veículo oficial da Realeza Britânica (Rainha Isabel II), das forças armadas de vários Países e Continentes, forças policiais, veículos de serviço de ONG’s, carro oficial do Camel Trophy, G4 Challenge, etc, etc, etc… Qualquer tipo de utilização que possamos pensar o Defender de uma maneira ou outra foi adaptado a ela. Até “estrela de cinema” foi! Quem não se lembra do mítico filme “Os deuses devem estar loucos” e o que aquele Série I sofreu (conduzido de marcha atrás, ficar suspenso pelo guincho) até ao mais recente 007 Spectre…

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Torna-se difícil expressar por palavras a admiração que não podemos deixar de sentir por este 4×4 puro, duro e “crú”… nunca foi pensado para conforto, nunca foi pensado para ser esteticamente apelativo, mas sim funcional. Em jeito de “despedida” a Land Rover preparou 3 séries limitadas: Autobiography, Heritage e Adventure que serão as últimas a serem construídas na mítica fábrica de Solihull.

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Como proprietário de um, ou então sou eu que sou propriedade dele, às vezes nem sei bem, não deixo de sentir um misto de emoções ao saber da decisão da Land Rover em terminar a sua produção, por um lado compreendo a preocupação ambiental que hoje em dia impera na indústria automóvel, e que terá sido uma das, senão A razão principal para que isso tenha sido decidido. Por outro não deixo de sentir uma tremenda tristeza por ver terminada uma história de 68  anos ligada ao 4×4, ao contacto pela natureza, ao contacto com vários povos espalhados por esse mundo fora, supõe-se que 60% da sua produção ainda continuem activos por esse mundo fora! Caramba!!

Vão ficar as aventuras, as viagens, as expedições, as maluquices, as histórias contadas e exageradas por vezes, mas acima de tudo vai ficar um LEGADO provavelmente muito difícil senão impossível de alcançar.

The very last one: Defender 90 Heritage Soft Top HI 66 HUE (bela homenagem ao Huey!)

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29 Janeiro de 2016 o dia em que dissemos Farewell Defender… ou pegando numa expressão “very british” de despedida e de sucessão (com alguma expectativa do que virá):

The King is dead. Long live the King!

Deixo-vos com um pequeno vídeo de homenagem ao Defender… nas areias foste desenhado, nas areias serás homenageado!!

goncalo.sousa@theBblog.com

Ps – todas as imagens são © de autor não identificado pois foram retiradas da net para este efeito (desde já as minhas desculpas)

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