A Barba – Culto ou Moda?

Desde sempre que os rapazes de tenra idade sonham com o dia em que podem deixar crescer uma barba respeitosa. Eu não fui excepção. Lembro-me que, quando tinha por volta dos meus 5/6 anos, agarrava na gillete antiga do meu Avô (sem lâmina, claro!), esfregava o sabão na cara até fazer espuma suficiente para depois, subtilmente, desfazer a barba. Sim, eu tinha esta brincadeira. A minha Mãe é que não gostava muito e bem me avisava – “ Toma cuidado filho, vais queimar a pele toda porque o sabão é muito agressivo”.

Os anos passaram, e a barba foi crescendo naturalmente, embora, tenha demorado um bocado mais do que o normal. Se calhar, ainda bem, porque assim poupei uns trocos em gilletes e cremes de barbear e lá fui “ostentando” orgulhosamente aquela chamada barba mal semeada, digna de um “rapaz pequeno”. Não, não me apetecia desfazê-la, isto porque, queria mostrar que já tinha barba e, homem que é homem, tem barba rija e bem grande. Quem é que não se lembra da série de televisão onde entrava o Bud Spencer?

Eis se não quando, a barba se torna “moda”. “Moda” essa, maior ou menor, foi-se enraizando junto do público masculino e gerou uma certa onda de avaliação de pilosidades faciais, em que os homens se avaliam conforme o desenho e tamanho da sua barba. E até o público feminino faz críticas acerca das barbas dos homens. Que loucura!

Tanto o meu Avô materno como o paterno, usaram, em certas fases da sua vida, pelo menos um bigode ou quem sabe, umas “cavacas” – o chamado “patilhame” – e até nem lhes ficava mal, mas lá está, na altura usava-se e não se era criticado por isso.

Nos dias que correm, o uso da barba está mais do que banalizado, e já há sítios onde não se é bem visto se não se usar essa respeitosa pilosidade facial.

Ok, já deu para ver que eu uso barba, gosto de barba, e sou um defensor acérrimo da barba, encarando-o como um culto. Da barba, claro. Porém, nunca tinha tido a oportunidade de frequentar um dos estabelecimentos que está novamente na dita “moda” – uma barbearia, ou se quisermos ser mais “trendy’s”, uma barbershop.

Após uma pequena e rápida pesquisa nas redes sociais, aleatoriamente, dou de caras com uma barbearia, espaço já com cerca de 60 anos e que até hoje se mantém aberta, embora com o nome dado pelo actual dono. Marcação feita para um sábado, e lá vamos nós até Moscavide, à Gentlemen’s Barbershop.

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Somos humildemente recebidos pelo dono da barbershop, o Mike Venturas, rapaz novo na casa dos seus 30 e poucos anos, que nos põe à vontade para fazermos todo o tipo de questões e prontamente, após acabar de atender um cliente, fomos convidados a conhecer o espaço e a conversar um pouco com ele acerca da criação da dita barbershop bem como da sua vocação para ser barbeiro.

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A decoração, definitivamente masculina, com fotos de barbas e acessórios masculinos (navalhas, gilletes, pincéis de barba, e até uma cabeça de um animal com umas cuecas de fio dental penduradas num dos chifres – cuja propriedade foi realmente de alguém, falando claro acerca das cuecas!), não faz de todo afugentar o público feminino, mas cria uma certa tendência de exclusividade masculina. Sim, é uma barbearia com um nome relativamente recente, mas tanto o espaço em si como a experiencia do dono, levam-nos a acreditar que o trabalho que ali se faz é de um grande profissionalismo.

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Sentei-me na cadeira e logo disse o que pretendia. Corte à navalha, acertar a barba e até dar um “jeito” ao cabelo.

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O som da navalha a delinear a barba entra pelo ouvido e parece que é viciante. Para quem não está habituado pode até causar algum desconforto, o que não foi o caso. Mas, era mesmo para isso que lá tínhamos ido.

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O resultado final é o que está à vista. Optei por manter tanto o corte de cabelo bem como o formato de barba que já tinha, mas com o toque do barbeiro.

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Na minha opinião, todos os que usam barba deveriam pelo menos ir uma vez a um barbeiro e partilhar a experiência que é de nos sentarmos na dita cadeira do barbeiro. Entenda-se: se as mulheres têm os seus salões de cabeleireiros, por que razão os homens não terão também o seu barbeiro / barbearia? Cada homem com barba não é um profissional qualificado para tratar dela, faz o que pode e sabe, daí, a meu ver, ser uma forma de cada vez mais fomentar o uso da mesma e visitar um estabelecimento deste género!

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Atenção, não devemos confundir o uso da barba com a preguiça ou desleixo pela aparência, muito pelo contrário! Se um homem pode usar barba, por que não usá-la? Ou será que a sociedade ainda está definitivamente antiquada? Ou os novos padrões e valores de actualmente permitem efectivamente que uma pessoa use barba independentemente da sua condição social ou actividade profissional? Fica a pergunta no ar, tendo em conta que estamos em pleno Século XXI…

Uma última nota:
Quero agradecer mais uma vez ao Mike Venturas pela humildade e simpatia com que nos recebeu.

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Para quem quiser experimentar esta barbershop, ficam aqui os contactos:

Rua Artur Ferreira da Silva, 24 A  – Moscavide

215941505 / 927372800

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miguel.moreira@thebblog.com

16 thoughts on “A Barba – Culto ou Moda?

  1. Para mim um homem de barba é como uma mulher de cabelo comprido… Sim há quem não use e até lhe fique muito bem, mas no geral…
    Excelente post Miguel 🙂

  2. Mike,
    Sou um cliente frequente destes estabelecimentos! É o nosso momento e para mim é quase como um culto todas as semanas lá estou eu! Agora que me mudei para Valência, também lá já tenho o sítio onde ir!

    Experimentem só vão dizer bem!

    Slds

  3. Texto muito bem estruturado, de fácil apreensão, mas com uma excelente análise. Gostei e aprendi. Parabéns meu querido

Comentários