Quando escolhi ser Mãe solteira…

O ter escolhido ficar solteira, resumiu-se simplesmente ao facto de querer ser feliz. Isto não significa que não o tenha sido enquanto casada/unida de facto (é tudo a mesmíssima coisa, só muda o preço, no que toca a desfazer) até pelo contrário, muito pelo contrário. Mas, quando chega a altura em que uma relação já nada acrescenta ao nosso ser e só subtrai… o melhor é começar a pensar em fazer-se as malas.

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Fui dando por mim cada vez mais a deixar de ser eu.

De ser eu quem me vestia, de ser eu quem me ria, de ser eu quem falava. Fiz-me refém de mim mesma. Ninguém o fez! Fiz eu, porque eu é que deixei. E esta coisa de não sermos nós para sermos alguém com que outra pessoa sonha… é uma trabalheira, ao fim de um tempo é mesmo uma prisão, e uma estagnação do nosso ser, do nosso querer.

Mas isto agora não interessa nada, por agoooooora…

Ser mãe é a melhor coisa do mundo, é o que mais gosto de ser nesta vida, e ser mãe do meu filho é fenomenal, é TUDO! (mesmo tendo o diabrete levado umas 20 horas a sair cá para fora, e metade delas sem epidural).

Ser-se novamente solteira é bom. É muito bom. Depois dos 30 então é indescritível. Sou mãe, mas antes de o ser sou mulher, e sou um ser, uma pessoa.

Depois de ter sido mãe entrei nos “intas”, depois de ter entrado nos “intas”, tornei-me solteira, e tenho para mim que estes fatores me fazem ver tudo de uma maneira mais fácil. Tudo… atenção! Quase tudo. Pois, tudo tem um lado negro. Ainda assim há que aprender e saber rir dele.

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Quando escolhi ser, ficar, estar solteira; decidi activar o “descomplicómetro” que havia sido desativado. Foi primeiro preciso aceitar o que me tinha acontecido, fazer o luto, perdoar o mau (mas nunca esquecer…) e ficar com o bom. Crescer, amadurecer e sigaaaaaa. Toda uma vida pela frente e com o conhecimento que com 20 – 25 anos não se tem.

Estar sozinha com o meu filho, com os meus 32 anos, aceitando-me como estou, com o que tenho, perspetivo uma vida ótima, simples e feliz. Começar do zero…mas, uma pessoa sai de casa por opção e as opiniões, conselhos o que raio quisermos chamar chegam sem pedir, e é engraçado o que nos dizem. Das mais velhas:

– Vai aparecer alguém para ti,

– Vais encontrar alguém que te mereça,

– és muito nova, e gira o que não te vai faltar são pretendentes

– não te preocupes que não vais ficar sozinha

E eu, rio-me e nem consigo responder… até porque se conseguisse o mais certo era mandar alguém pastar. Foda-se e que tal ficar sozinha?!?!? Hein? Se calhar não é mal pensado. Ficar sozinha não quer dizer que vá virar freira, ou que já não acredite no amor. Também não quer dizer que vá variar dos cornos e vá para a cama com todo “o distrito de Braga”. Mas porra não tenho que (nem quero!) casar já amanhã. Estou bem assim, óptima!

Depois houve as outras, as mais novas umas ainda com alguma inocência, outras que já passaram pelo mesmo, outras muito bem casadas, outras que foram uma revelação. Ouvi coisas surpreendentes:

– Agora tens é de beber uns copos,

– opá, tu tens é de dar umas fodas,

– Martinha, faz o que te der na telha. Se nunca te faltares ao respeito, ninguém o faz. A partir daí… minha amiga, vale tudo. Menos com animais. (really?!?!!? – Mas tu bates bem do baralho?)

– Marta, sê livre! Livre de ti, dos teus medos – enfrenta-os, livre dos teus traumas – encara-os, conhece-te, reencontra-te.

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O que é certo, é que eu estou viva, vivinha da silva, e estando eu viva, porque raio deveria comportar-me como uma velhinha de 99 anos? Sim eu tenho de beber uns copos se assim o entender, sim se calhar eu tenho de dar umas quecas se eu quiser, e não sociedade, isto não está errado. Qual é a diferença entre mim e outras, nenhuma… cagamos todas da mesma maneira, pura e simplesmente umas fingem que é diferente, outras não assumem, outras ainda vão tão atrás no carrossel que ainda acham que se forem o que não são, são felizes.

Ahhhh é verdade eu sou mulher, e mulheres nem bebem, nem sabem o que é uma one night stand, só os homens desta vida é que podem.

O mais engraçado no meio disto tudo, é que este preconceito vem das mulheres para as mulheres, ás vezes também a vejo em alguns homens. Menos é um facto.

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Minha gente, A-C-O-R-D-E-M! Se andam infelizes, tratem da vossa vida e deixem a alheia. Ela é curta, e a não ser que acreditem na reencarnação, o mais provável é já cá não voltarem para fazer aquilo que não fizeram. Permitam-se!

Permitam-se a serem livres de vós próprios, de amarem sem regras, de dizerem amo-te a quem amam sem medos, sem vergonha, de mandarem à merda quem não vos quer bem, de elogiar o próximo, de serem sexys, de serem ousados, de arriscar, de pedir perdão, de perdoar, de ir à luta, de dizer não. Permitam-se a ser felizes, permitam-se a não invejar a felicidade alheia. De hoje para amanhã não estamos cá…

No meio disto tudo sou, com muito orgulho a melhor Mãe do Mundo, para o meu filho é claro. Porque a melhor mãe do mundo é a minha.

E aqui um apartezinho… às mulheres da minha família (vocês sabem quem são), foda-se vocês são do CAR****, houvessem mais como vocês e este mundo não ia assim. OBRIGADA. Aos homens da minha família (também vocês sabem quem são) obrigada, é por vocês que ainda acredito e tenho esperança na humanidade masculina.

Abreijos

Marta

12 thoughts on “Quando escolhi ser Mãe solteira…

  1. Excelente Martita! É isso mesmo! Vive! Vive como te sair de dentro! Como quiseres e bem te apetecer! Beijinho grande e…sê feliz

    1. Rutinhaaaaa, beijinho grande! Obrigada, saudades de ti. No verão a ver se praiamos e conheces o meu pequeno.

  2. Sais as mulheres desta familia e a muitas otras da nossa sociedade, para a frente e o caminho e o nosso menino un dia vai entender, para isso tambien ca estamos, con todo o nosso amor, besos da tiiitiii, ahhhh as fotos estao fantasticas e o modeloooo perfeito , beijokassss

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