CRÓNICA DE UM PAI BABADO, MAS PREOCUPADO…

Escrevo este texto após ter deixado a minha “princesa” no seu primeiro dia na escola. Podia apenas exprimir o quanto me sinto orgulhoso, babado e esperançoso nesta fase do crescimento de um filho mas pretendo também enumerar algumas preocupações que nos surgem nestes momentos, que são marcos importantes na vida das crianças e que a muito custo tentamos não perder.

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Lá foi ela feliz da vida, curiosa e cheia de vontade de rever os amigos que já conhecia e fazer novas amizades, aprender a ler, fazer contas e acima de tudo sentir-se mais “crescida”, afinal de contas vai para a escola primária.

No dia que antecedeu este momento, deitou-se cedo, acordou cedo, perguntou inúmeras vezes quando é que saíamos finalmente de casa e íamos para a nova escola. “Mil e uma” fotografias comigo, com a mãe, a sair de casa, na escola… Hoje era impossível não haver registo! Em suma, acredito que muitos se vão rever no que descrevo. Foi uma manhã igual para as muitas crianças e pais que pela primeira vez passaram por este momento.

Infelizmente, nem tudo são rosas e tal como em tantas outras situações, só quando efectivamente passamos por “elas” é que valorizamos e concentramos a nossa atenção e, neste caso, alguma preocupação.

Todos os dias os “media” bombardeiam-nos com notícias das colocações de professores, das organizações dos Agrupamentos e dos programas escolares. Confesso que desde há uns anos tinha uma vaga noção de que algo não estava bem, mas agora percebo in loco que, de facto,  ainda há muito por fazer no que diz respeito à temática Educação. Daí, em jeito de desabafo, vos conto a minha (nossa) crónica.

Reunião de Pais

Tudo é novo, tanto para a princesa como para nós pais, uma vez que desde que andamos na escola até aos dias de hoje, tanta coisa mudou (já era expectável) mas confesso que foi uma “bomba” perceber o que aí vem.

Na passada segunda-feira dedicamos 3 horas para a tradicional apresentação no agrupamento e conhecer a escola e a professora que supostamente (já vão perceber porquê) vai acompanhar o nosso(a) filho(a) nos próximos 4 anos. Até aqui, tudo perfeito! O Município orgulhosamente apresenta um projecto de requalificação que irá tornar a escola mais moderna e funcional no próximo ano, segue-se a sala de aula, a apresentação da professora, percebe-se e assimila-se a exigência do futuro, recebe-se um verdadeiro “bombardeamento” numa vasta lista de material a comprar, percebe-se quais serão as AEC’s (actividades extra curriculares) e os seus horários e fazer contas e gestão dos mesmos em sintonia com os horários de trabalho. Neste momento, acreditem que não é fácil decidir o que fazer e onde colocar o(a) estudante no pós escola, uma vez que uma das duras realidades que percebemos logo é que mesmo com as ditas AEC’s continuamos a não conseguir conciliar os horários de trabalho com a saída da escola e quando assim é… Temos de “investir” num ATL, de preferência um que garanta um adequado acompanhamento escolar.

Confesso que comparando com o meu tempo de primária, facilmente percebi que as crianças hoje em dia têm muito menos tempo para brincar, a exigência do programa e os horários não correspondem em nada ao que vivi à 30 anos atrás e essa é uma das duras realidades. Bons tempos em que se podia sair livremente da escola, trepar árvores e brincar com os amigos na rua. 

1º dia de aulas

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Hoje o dia ainda é de transição, são 2 horas em conjunto com um dos pais, do qual acho perfeito para a adaptação a esta realidade, não fosse o balde de água fria mal nos sentamos ao lado do príncipe ou princesa na sua carteira… A professora que se apresentou na reunião dias antes, afinal não será a professora!

Porque afinal a referida professora estava num regime Y, uma professora que até já se tinha realizado a sua apresentação aos pais e alunos perto da sua área de residência (a mais de 100 km’s), passa a ser a professora ali, portanto, dois baldes de água fria, o nosso e o dela, que certamente gostaria de estar mais próxima de casa!

Confesso que tenho muita dificuldade em perceber como é possível em meados de Setembro, depois de 3 meses de férias, estas situações desagradáveis acontecerem?? Não seria suposto as colocações estarem diferidas?? É normal uma professora da região sair e entrar uma que mora a 100 km’s e que já pensava que iria dar aulas ao pé de casa? Isto faz sentido?

Acreditando na competência de ambas, é de facto preocupante iniciar o ano desta forma, não só porque assimilamos que uma pessoa que supostamente iria estar 4 anos a zelar pela educação e crescimento do nosso pupilo(a), como percebemos que estas trocas são uma realidade e ainda corremos o risco da actual professora sair (para perto da sua residência, o que faz todo o sentido) e termos de aguardar por um novo professor(a).

A somar a estas situações, também percebemos em 2 visitas à escola que, o numero de auxiliares de educação em nada corresponde às necessidades do número de alunos da escola… Esta é outra triste realidade que me parece ser transversal em todo o país.

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Acabo por constatar que também na Educação ( além da Saúde, da qual já tinha percepção) existe ainda um longo caminho a percorrer para que estas situações e preocupações sejam algo de um passado sem investimento eficiente e uma organização que de facto funcione.

Espero que os sorrisos e a alegria  que presenciei hoje  possam não só suplantar estas minhas (e de todos!) preocupações, mas também  fazer com que estas dificuldades e realidades passem ao lado destas crianças que hoje iniciam esta etapa da vida e que serão os homens e mulheres de amanhã.

Um grande bem-haja  a todos os pais e professores pelas suas “lutas” por uma escola melhor para os nossos filhos.

Ass: “Pai babado”

Bruno Félix

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