A história de um Mini ou um Mini com história…

É a primeira vez que conto esta História …assim…escrita e partilhada com tanta gente…

Sou por natureza uma pessoa reservada, mas verdade seja dita…é um privilégio para mim poder partilhá-la, a convite destes meus amigos “B’s”, com pessoas que certamente têm este gosto em comum ou serão apenas curiosos no tema.

A minha paixão por clássicos, máquinas, motores e engrenagens vem desde cedo, situação que tive o privilégio de aprofundar na faculdade e explorar no ramo profissional.

Gostar de um Carro Clássico é mais do que o ter na garagem e dar umas voltas ao fim de semana. Não tem a ver com reformados, ou milionários, ou “ gente requintada”. Nada disso! É transversal ao tempo, à idade, à profissão, é um estado de espírito …é uma forma de estar na vida.

Nós fazemos parte do carro e o carro faz parte de nós. É quase a nossa identidade…ADN …ou impressão digital.

A paixão leva muitas vezes ao coleccionismo… mas não é o meu caso… AINDA! Ahahah

O Mini 1000 foi o meu primeiro carro e veio parar às minhas mãos de uma forma engraçada:

Num negócio de tractores, o chamado “core business” da Família, em conversa com um cliente que pretendia comprar-nos um tractor, sem eu esperar, o mesmo propôs-me um Mini como moeda de troca. Fiquei a pensar… O Mini era branco, situação que não me agradava de todo porque simplesmente não simpatizo com essa cor num carro. Bem o negócio do tractor estava fechado… Apenas faltava a decisão do MINI. Entretanto, na entrega desse mesmo tractor em Viseu, o meu pai teve oportunidade de ver o carro e ligou-me, entusiasmado, a referir que estava estimado, motor impecável e que tinha as peças todas originais. Soberbo!

O sr. tinha recebido o tractor e a minha decisão ainda estava suspensa.

E eu andei ali a pensar…a pensar …e pensava…” mas que cena esta de comprar um carro sem o ver…sem o experimentar… quase por catálogo”…Isto só comigo!!

Nem por catálogo era…nem sequer tinha fotos do carro.

Depois lá vinha a racionalidade de gastar dinheiro num carro a compra-lo à distância, sem o poder conduzir… nahhhh…vou desistir!

Mas o coração falou mais alto …foi mais forte que eu! No dia seguinte da entrega do tractor fechei negócio e combinámos a entrega para uma semana depois.

Posso afirmar que essa semana pareceu-me a mim, que sou a pessoa mais tranquila do mundo, anos!!! O tempo não passava…os dias eram demasiado longos!! Parecia um puto! Do género…quando somos crianças e os nossos pais nos diziam que “amanha vamos á praia” …e nessa noite ninguém lá em casa sossegava?!! Sabem a que me refiro?? Assim estava eu!

Andava ansioso…na expectativa… Será que fiz bom negócio?!?! Será que vou ser enganado?!?!?! O negócio estava fechado com o tractor e eu era proprietário de um carro que nunca sequer tinha conduzido!!! Cenas!!!

Perguntas normais de um Jovem nestas andanças…

Eis que chega o dia de o receber e nessa noite nem dormi.

A imaginação começava a fervilhar…o Bichinho dos clássicos estava cá e queria sair… Pensava já nas possíveis alterações, melhorias estéticas, peças.

Porquê um MINI?

Sempre tive alguma simpatia e tendência para o universo dos carros Ingleses…a elegância e o carisma dos carros são soberbos. Mas acima de tudo, a marca Mini também faz parte da minha história, do meu crescimento. O meu avô foi concessionário da British Leyland, o meu pai fez algumas formações e cursos na Mini, o primeiro motor que desmontou foi de um Mini IMA da minha tia-avó (ainda me lembro de andar nessa Ima)… a minha primeira viagem ao Algarve foi num Mini 1275 GT que conduzia a minha mãe! A minha professora primária teve um no qual me dava boleia quando a minha mãe não me podia ir buscar…

Tudo parecia encaixar, tudo parecia ter ligação e tudo parecia fazer sentido! E sempre aprendi que se há sentimento faz sentido!

Por haver sentimento, por ter de fazer sentido, porque tem de haver significado, nele também está representado a minha filhota, a pessoa que dá o real sentido à minha vida. Com o objectivo de lhe dar um look mais desportivo, pensei em colocar as placas nas portas de lado, tipo carro de competição de rally. Essas placas têm o número 12, o “meu” número, a data de nascimento da minha filha M. C. – 01/12/2012.

À medida que o tempo passava, investia mais de mim no Mini…além do investimento financeiro, há o tempo e a disponibilidade, ou melhor, as horas infinitas que se esgotam de volta deste meu “MINIno”. É desafiante o restauro das peças, as melhorias de motor e da própria performance do carro, tudo representa um estímulo à nossa capacidade de melhorarmos e de tornarmos aquela “peça” como única. Passa a ter o nosso cunho pessoal…passa a ser/ter a nossa marca pessoal. Além das melhorias estéticas e do motor, comecei a frequentar passeios e provas de perícia, onde há um espirito inigualável de partilha pelo gosto comum pelos Clássicos, amizade, trocas de ideias e entreajuda. Criei uma página no facebook “ O Diário do Bogas” (como carinhosamente lhe chamo) para poder transmitir e partilhar a evolução do Mini.

Conheci muita gente e fiz muitas amizades, duradouras assim espero, pessoas ligadas aos clássicos por paixão, outras por negócio, outras por desporto.

Posso partilhar que nem tudo são rosas…já apanhei alguns sustos e peripécias pelo caminho, onde fiquei já algumas vezes “ apeado” na estrada, e pensava…” Tiago…nas cenas onde tu te metes!! ”

Mas de todas as vezes que parámos….foi gratificante porque aprendi, restaurei, melhorei, e acima de tudo, pude contar com a entreajuda que existe nos admiradores destes carros. Não há igual.

Já tive o prazer de colaborar com o Clube Mini de Portugal, em vários eventos entre os quais destaco um em Arruda dos Vinhos, no ano de 2012.

Participei em vários desde a Serra da Estrela, Évora, Badajoz, Sintra, Óbidos, Almeirim, Santarém, etc, etc, onde o desfile das máquinas, o barulho dos motores e claro está o convívio que se faz sempre á volta da mesa, vão sendo também eles coleccionados e guardados com muita estima.

No próximo ano realizar-se-á o Evento à escala internacional “ IMM 2018 – International Mini Meeting” onde vou ter o prazer de fazer parte da organização e poder demonstrar que Portugal recebe bem, com qualidade e humildade acima de tudo. Estarão representados vários países como Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Dinamarca, e o evento será no dia 18/05 a 21/05 na praia da Vagueira, em Vagos, Figueira da Foz. Estão desde já todos convidados!

Tenho a sensação agora que me vou repetir, mas não me vou prolongar mais…mas quem tem um carro clássico, e ainda para mais um Mini, sabe do que falo.

Representam um desafio constante, fazem parte de nós, tornam-se num vício bom, e fazem parte da nossa família. Se um dos vossos projectos é ter um clássico, não tenham por moda, por dizer que têm, mas façam-no por paixão!

E o pior de tudo, como qualquer paixão (ou melhor não sei…) é que queremos sempre mais!

   

Tiago Anágua, 36 anos, Comercial.

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