A 1ª VEZ COM A CRISTINA…

Eu sei, eu sei é uma tentativa (fraca, diga-se) de clickbait, mas de certa forma é mesmo isto, foi a 1ª vez que comprei a revista Cristina!

Ao bom género portuga, que gosta do mexerico e da polémica, confesso que embarquei nos clickbaits da Imprensa, azul, cor de rosa, amarela, whatever, que durante dias usou excertos do texto escrito pela editora, reconhecida figura pública, que supostamente deu a entender os seus gostos pessoais no que toca a fantasias sexuais.

 

Além disso a capa sugeria um dossier sobre a mesma temática onde destacava o que as mulheres querem no que toca a sexo, brinquedos sexuais, etc. Se já tinha curiosidade em conhecer a referida edição, por curiosidade editorial e em termos de fotografia, com estes temas “picantes” não havia forma de fugir a este desejo já assumido de consumir a Cristina (Revista!).

O FLIRT

Vou ser sincero, já tinha várias vezes piscado o olho na banca à Cristina, as capas sempre foram sugestivas, e eu que sempre consumi revistas, MaxMens, GQ’s, Playboy’s (apenas a 1ª com a Monica Sofia, uma vez que daí para a frente foi um culminar de camadas de Photoshop, que já nem vontade dava de ler o quer que houvesse para ler, mas isso é outra história). O facto da Cristina vir embalada, servindo o propósito de anular o desfolhar e tirar a 1ª impressão, quase que se compara a um namoro virtual em que já nos deram a conhecer a cara e corpo ( ou parte dele) e  ansiamos por conhecer melhor a pessoa e o seu conteúdo.

O 1ª ENCONTRO

Ler os excertos do texto de carácter tão pessoal e vindo de alguém que sinceramente admiro imenso, pela forma como tem conseguido adquirir um estatuto que dificilmente veremos nos próximos tempos, alguém que é capaz de estar a fazer as compras na mercearia e a dar beijos numa rua da Malveira de ténis e fato de treino e no dia seguinte estar a brilhar na semana da moda de Paris, sem “medos” de arriscar no outfit, diga-se de passagem é uma mulher com um grande par de tom…! Certo que terá os seus defeitos, todos temos, mas quer queiramos ou não, a mulher é alvo de critica, inveja, mas também de admiração por muitos, eu inclusive.

Estava destinado, seria desta o nosso 1º encontro, que estava marcado na papelaria mesmo em frente ao trabalho, foi só procurá-la, pagar e, durante o almoço, ter o prazer de rasgar aquela primeira barreira de plástico e finalmente conhecer a Cristina para além da capa.

Neste momento lembro-me ironicamente de um lema que sempre mantive na vida que é “Nunca julgues um livro pela capa”. Nunca foi tão pertinente, pelo tema, pela qualidade fotográfica, finalmente iria desfazer a minha curiosidade numa paixão que me acompanha há uns anos e ao mesmo tempo iria aprofundar um tema que imperativamente não pode passar ao lado de nenhum homem, saber o que elas querem afinal (mesmo, mesmo) no sexo.

2ª IMPRESSÃO

Tal como acontece no jornal que nos cedem no restaurante onde comemos quase todos os dias em que só temos tempo para ler as “gordas”, deu para perceber que em termos de fotografia, pelos editoriais, e pelas pessoas com créditos firmados, era impossível o resultado não ser positivo e superar até as expectativas, destacando desde logo o trabalho de moda do Gonçalo Claro e a viagem a Marraquexe que foi registada por um dos melhores do Mundo em termos de fotografia de viagem, Joel Santos.

Se o primeiro desfolhar garantiu um sorriso e satisfação para quem admira fotografia, e o destaque que esta merece nas edições impressas, confesso que “corri” para o tema central, o tal texto da editora, e as temáticas anunciadas na capa. Desfolhei, e lá descobri a dupla página que daria início ao tema, foto a Preto e branco, provocante e com ar dominante, olhar sério de quem toma controlo da situação, é acompanhada de um pequeno texto na lateral esquerda. Batem certo os excertos que a imprensa deitou cá para fora, é escrito em jeito de conto erótico, muito pessoal, o que para muito(a)s pode ser quase hardcore, sem tabus, o que apenas reforça o sentimento de respeito e admiração que já tinha pela pessoa que arriscou debitar tais sentimentos e desejos para o mundo.

Não há tempo para mais, há que seguir para o trabalho e o “namoro” segue para mais tarde.

A DESILUSÃO

Se o texto inicial dava indicações positivas de que tinha tudo para ter sido uma aposta ganha, veio a desilusão, ou melhor, dupla desilusão no meu ponto de vista.

Volta-se a abrir a página, relê-se o texto que tinha sido consumido de forma fugaz, por força da falta de tempo, vira-se mais umas páginas e…então? Que é isto? Ahhh agora escreve uma Educadora Sexual no tal tema do que as mulheres querem no sexo, ok penso eu, homem deve ter sempre espaço para absorver esta matéria até porque o saber, seja ele qual for, não ocupa lugar! Desilusão! Queria mais letras do pequeno e curto texto inicial, mas ainda dou o benefício da dúvida, pode ser que haja algo em jeito de epílogo.

Não que seja um expert na matéria, ou um Mel Gibson que num filme de ficção tinha o dom de adivinhar o que ia na mente das mulheres, parto para a leitura do tal dossier com o único propósito de achar que o tema merece sempre abertura e humildade para melhorar a nossa relação com o sexo oposto, tal não acontece, mais do mesmo, já escrito e debatido, sendo que os tópicos descritos (não vou dizer o que lá vem escrito só para não me chamarem de Spoiler!) são de tal forma generalistas, que são impossíveis de seguir à risca e de forma transversal. Confesso que aqui acabei por não absorver nada de novo, até porque ainda acho que a fórmula milagrosa, não conseguindo adivinhar, é mesmo falar e puxar pela parceira por aquilo que tanto anseia. Novo virar de página, brinquedos sexuais, blá, blá, custa x, vende-se aqui, e a única coisa que vai na mente é, então “cadê” o resto do texto da “Tininha”? Não há mais? E não…não havia mais…

Sabem aquela sensação de uma bela “rapidinha” que foi boa, mas soube a pouco? Foi assim a minha 1ª vez com a Cristina!

Pergunto a mim mesmo, se vou dar o benefício da dúvida? Claro que sim. Todos nós merecemos e temos direito a uma 2ª oportunidade…  😉

Bjos e abraços.

B

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