Se por um lado, dita a vida profissional que visite com alguma frequência este belo país africano que é Angola, por outro, tenho a oportunidade de viver e visitar diversos locais que de outra forma dificilmente conseguiria.

E dificilmente conseguiria porque, apesar de Angola possuir um vasto território, uma fantástica variedade de paisagens e ecosistemas ao longo do seu território e de ser um país, nos dias de hoje, democrático e em paz, ainda é dificil ser-se turista por estas terras. Esperemos que este aspecto rapidamente mude!

Nesta minha última visita, consegui finalmente colocar em prática uma ideia que já tinha há algum tempo, a de visitar o Parque Natural do Quiçama e fazer um safari pelo mesmo. Uma aventura que iria exigir algum esforço adicional afinal, certos factos que damos por garantidos, nesta geografia nem sempre são simples…

Sobre o Parque Natural do Quiçama, este está localizado a 150km de Luanda e não está nem de perto no top 10 dos parques naturais de África…não é nenhum Etosha (Namibia), Serengeti (Tanzania) ou Kruger (África do Sul), ainda assim, é um parque com uma área de 9600 km2 e com alguma diversidade de espécies selvagens (já lá vamos!).

Voltando a esta pequena aventura que começa um pouco antes do dia da sua realização propriamente dita… Sendo um facto habitual a avaria dos veículos do parque (os velhos mas duros Unimogs), decidimos que só iriamos para esta aventura conduzindo um 4×4, pois o parque permite realizar safaris em viatura própria, tendo esta de ser naturalmente um veiculo todo terreno.

A primeira tarefa e de certa forma a mais complicada de todas, arranjar o 4×4! Começámos por sondar alguns amigos angolanos mas ou não havia 4×4 ou os que nos disponibilizaram eram veículos novos que nos garantiam uma estadia por diversos anos em Luanda até conseguirmos pagar eventuais danos! Este não era de todo um cenário que tínhamos como preferencial! Tentámos então o aluguer que, dada a geografia em questão, pouco ou nada conhecíamos neste ramo além das habituais rent a car. Começámos a nossa busca mas como já imaginávamos, um 4×4 é um veículo que entra nas classes mais elevadas dos alugueres e os preços eram excessivamente caros! Mais umas buscas pela net e finalmente encontrámos um negócio local que nos alugaria o 4×4 que precisávamos e a preços acessíveis! Depois de alguma luta na pesquisa, finalmente tínhamos garantida uma Ford Ranger para esta aventura!

Segundo ponto, se queremos ver animais selvagens num qualquer parque natural, ainda para mais num país com elevadas temperaturas, a dica é fazer a visita ao nascer do sol, altura em que os animais acordam e se deslocam às zonas com água para beber e comer (depois deste periodo, passam maior parte do tempo abrigados do calor nas sombras da vegetação). Sendo que o primeiro turno de visitas no Quiçama é às 6 da manhã (sim, já há sol a esta hora!) e estávamos alojados a 150km do parque, teríamos de sair por volta das 4 da manhã, isto depois de uma semana de trabalho! Pesa no corpo mas a vontade supera a dureza do horário e à hora definida estávamos a arrancar de Luanda para fazer os 150km, atravessar o rio Kuanza e entrar na área do parque. Da sua entrada até à recepção do mesmo, são 40km de estrada em terra batida…e por aqui se percebe que não é propriamente uma quinta pedagógica com animais…e não estando no top dos parques naturais, já tem uma considerável dimensão! Ao longo deste caminho fomos já avistando alguns animais, nomeadamente gazelas.

Finalmente no parque, por volta das 7 (demorámos mais do que o previsto, mas ainda a tempo do nosso objectivo), indicáram-nos que poderíamos fazer o safari no veículo do parque, ainda que, só tenhamos conseguido arrancar cerca de meia hora depois, devido a uma reparação de última hora (a nossa previsão de avarias não estava muito longe da realidade).

Ao longo das duas horas que percorremos parte do parque e porque o sol neste dia estava encoberto, o que fazia com que a temperatura fosse amena, conseguimos avistar grande parte dos animais que este parque possui…as já referidas gazelas, os gnus, macacos, zebras, girafas e aquele que é o símbolo de Angola, a Palanca Negra! Faltou ver os elefantes que, apesar de identificarmos várias pegadas dos mesmos junto a alguns charcos, já se haviam refugiado na vegetação e era impossivel avista-los desta forma.

Depois do safari, aproveitámos e fizemos também a subida do rio Kuanza, ainda dentro da área do parque, onde existem crocodilos e hipopotamos. Atendendo a que na semana anterior tinham ocorrido fortes chuvas tropicais, o caudal do rio estava muito acima do normal e avistar estes animais foi impossivel. Valeu pelas paisagens nas margens do rio!

Numa manhã apenas, mas que já ía longa, conseguimos realizar estas duas actividades e estando a poucos quilometros de Caboledo, aproveitamos para ir até lá almoçar. Como é tipico das idas a Caboledo, o almoço foi lagosta, que por estas paragens existe em grade quantidade, é natural e o seu custo bem mais simpático do que se fosse por Portugal! 🙂

De regresso a Luanda, tempo ainda para um paragem pelo Miradouro da Lua, cuja paisagem parece precisamente, uma paisagem lunar…mais um daqueles lugares esculpidos pela natureza e que Angola guarda como cartão de visita!

Uma pequena aventura que valeu bem o esforço e que resultou num dia bem passado!

Agradecimento especial ao Jorge Flório que, enquanto eu conduzia ao longo desta aventura, ele foi registando os momentos com a sua máquina para que agora os pudessemos partilhar! 😉

Written by Benjamim Pitacho
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