Confirmando-se o rumor, a 26ª obra cinematográfica sobre a famosa personagem criada por Ian Fleming será protagonizada por uma mulher!  Feliz com esta notícia? Nem por isso!  Depois das brilhantes interpretações de Sean Connery, Roger Moore, Pierce Brosnan e Daniel Craig e das fugazes e menos mediáticas participações de George Lazenby e Timothy Dalton , será a vez de Lashana Lynch assumir o papel de Agente Secreto de sua Majestade.

 

GOLPE DE MARKETING OU SINAIS DO TEMPO ?

Muito já se escreve e opina sobre esta notícia e para os amantes de cinema e, em especial do culto do agente 007, já existem várias teorias e claro está, as opiniões dividem-se. Se por um lado poderá parecer um golpe de puro marketing e uma lufada de ar fresco no franchising que já caminha para os 58 anos de existência, outros aplaudem o facto de se dar uma certa igualdade de género, já que finalmente vemos sinais positivos na nossa sociedade em relação aos direitos de género. É mesmo sobre esta teoria que entendo ser importante opinar.

 

O VODKA MARTINI FOI AGITADO E MEXIDO!

Disclaimer: antes que caia já o “Carmo e Trindade” em cima de mim, sou completamente a favor da igualdade de género, não me considero homofóbico ou machista e mantenho uma mente aberta e tolerante, sendo que tenho o direito à minha liberdade de opinião e escolha.

Faz sentido uma personagem criada, cultivada de gerações atrás de gerações num corpo masculino onde o carisma, bom gosto e personalidade muito peculiar, possa dar lugar num futuro próximo a uma mulher? Não faz!!! Ambos os sexos revêem-se por certo no desejo de o ser (nem que fosse por minutos!), numa fantasia já que é utópico pensar que um James Bond exista na realidade. Ser capaz de seduzir, manipular, ultrapassar barreiras físicas quase impossíveis e acima de tudo viver uma vida regada de luxo e perigos constantes podem ser personificadas por um ELE ou por uma ELA sem sombra de duvida. Mas Bond será sempre Bond! Dos super galãs Sean Connery (para mim o melhor de sempre!) e Roger Moore,   à crescente atlética de Daniel Craig e na classe de Pierce Brosnan, no meu entender passar esse legado para uma mulher, acaba com “o” 007.

VAMOS A EXEMPLOS

Na saga 007, podemos verificar que a personagem “M” já foi protagonizada por actores de ambos os sexos, embora claro, não tendo o peso de uma personagem com características tão peculiares. Mas, seguindo a lógica de personagens com raízes de várias gerações e com cultos criados, já imaginaram um Han Solo ser protagonizado por uma mulher? Faz sentido? Ou melhor, uma Lara Croft ser protagonizada por um homem? Fará sentido?… Claro que não! Mesmo que haja necessidade de substituir os corpos e faces dos mesmos, idealizamo-los(as) sempre desta forma, pelo que não faz sentido mudar algo que honestamente sempre funcionou bem. 

RESUMINDO

Subscrevo que o mundo da fantasia precisa de mais super heroínas, que actrizes talentosas devem receber o mesmo que os actores (só estamos a falar de cinema ok?), mas mudar de género numa personagem icónica não faz, na minha humilde opinião, absolutamente sentido algum. Num passado recente tivemos dois filmes do mesmo género (espionagem) com brilhantes interpretações, refiro-me a “ Red Sparrow”“Atomic Blonde” com Jennifer Lawrence e Charlize Theron respectivamente, que demonstram que a capacidade de representação em papeis físicos e de cariz psicológico levados ao limite são perfeitamente possíveis no sexo feminino em personagens criadas e fundamentadas num bom enredo, mas daí a mudar desta forma o que já existe? Não obrigado!

Veremos se a promissora actriz britânica tem estofo e talento e, já agora, receba pelo menos o que Daniel Craig recebeu no seu primeiro filme, e que eu esteja enganado quanto a morte anunciada de 007. Teremos quase por certo ondas de choque contra e a favor, petições (se calhar é o “mexerico” de golpe de marketing que se pretende criar!), mas o tempo, temo que me dará razão, veremos….

 

PS: a minha escolha seria Idris Elba

 

Imagem de capa: TOLGA AKMEN – Getty Images

 

Written by Bruno Félix
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