Hoje, damos a conhecer um projecto deveras interessante. Facto curioso é que dois de nós já conheciam a Joana desde os tempos da escola primária, na qual já se destacava pela criatividade nos seus desenhos a imitar as roupas dos colegas mais próximos. Assim, dada esta propensão criativa tão precoce, o futuro só podia trazer actividades relacionadas com moda ou acessórios personalizáveis. Assim nasceu a Joana Candeias Handmade Bags, que agora vos damos a conhecer ! 

Quando é que descobriste a vocação para os artigos handmade?

Em criança gostava muito de desenhar e usar muitas cores, por influência do meu pai, que era ligado às artes e era desenhador técnico, logo canetas, folhas e estimulo à criatividade era uma constante. Naturalmente, fui criando a curiosidade em perceber como se fazia a roupa, e com tecidos que me davam, criava roupas para as bonecas, com todos os detalhes de golas, capuz, fechos, etc. Acho que aí começou o verdadeiro gosto pelo handmade, o feito à mão de raiz.

Tiraste algum tipo de formação específica? ( se não, qual gostarias de tirar e porque é que ainda não o fizeste? )

Antes de completar o 12º ano, já tinha feito uma pré-inscrição num curso de Design de Moda, na escola profissional CITEX, antigo CIVEC, em Lisboa. Foi um passo muito importante, pois aprendi a costurar numa máquina industrial, aprendi modelagem, adquiri conhecimentos sobre os diversos tecidos e sua composição, tive aulas de ilustração, desenho técnico, aulas de história da moda, marketing. No primeiro ano de curso fui seleccionada para um concurso de moda em Espanha, mal sabia costurar, foi um verdadeiro desafio, pôr em prática as ideias no tecido e manter-me fiel aos croquis.

O que diferencia as tuas handmade bags das já existentes no mercado (modelo, características, funcionalidade)?

Creio que o que me diferencia seja os designs originais, em que consigo diversificar as conjugações de cores, padrões e texturas, sem ter que fazer muitos designs diferentes. A qualidade de acabamentos e a escolha de tecidos também é fundamental para valorizar um artigo de autor. Muitas vezes perguntam-me se fui eu mesma a confeccionar e a elaborar tudo, vejo isso como um grande elogio e uma imagem de marca. E caro, a utilidade da peça final. Design é isso mesmo, aliar estética a uma função, seja num acessório de moda ,seja na tecnologia.

Que tipo de materiais usas e porquê?

Sempre gostei de texturas naturais, algodão, tapeçarias, lãs, sejam lisos, sejam estampados. Faz parte da essência da minha marca a mistura de texturas e cores. Por exemplo, nunca usei peles, nem me identifico com esses materiais, prefiro sempre usar camurça sintéctica em alguns pormenores.

Qual é o teu target actual?

O meu target actual é bastante diversificado, seja pela idade ou género. Com os últimos anos de forte turismo em Portugal, o leque de clientes também se tornou mais abrangente. Actualmente, tenho as minhas peças em todos os cantos do mundo, e muitas vezes esses clientes voltam a adquirir quando regressam a Portugal ou online. O tipo de público seja feminino ou masculino, procura algo único, com um conceito próprio, sem os formatos formatados de marcas mais industriais. E o facto de poderem conhecer quem faz, é por si só diferenciador. Há pessoas que procuram algo mais colorido, outras mais sóbrio, tento apresentar essa diversidade na marca.

Elas gastam mais que eles? ( na perspectiva de produto identificativo da marca )

Sim, elas gastam mais. As senhoras por norma gostam de variar os acessórios consoante o vestuário, pensam mais nas possibilidades. Os homens por outro lado, são mais decididos e exigentes, gostam de saber informação detalhada sobre materiais, o conceito da marca. Felizmente, nos últimos tempos tenho conseguido chegar aos dois públicos.

O que é que preferes fazer: produtos para mulheres ou para homens ?

Por ser mulher, acabo por ter influências mais femininas nas peças, mas gosto muito da simplicidade e de um toque mais desportivo/ casual que agrada aos homens. Acho que me situo no meio termo, até porque não se pode estagnar.

Fazes personalização de malas e acessórios: qual o pedido mais extravagante já feito ?

Sim, muitas vezes faço peças únicas ao gosto pessoal da cliente ou preferências de tecidos, mas faz parte do meu trabalho ajudar a sugerir as melhores opções. Mesmo que o pedido seja extravagante ou mais “arriscado”, é preciso equilíbrio e harmonia no conjunto.

Tens alguma vontade de abrir um espaço físico?

Já tive essa experiência por alguns meses, mas é complicado conciliar produção, com horários de loja fixos e atendimento ao público, embora ainda gostasse de o fazer noutros moldes. Por enquanto, o ideal são mercados, eventos, parcerias com lojas e venda online.

Perspectivas de futuro: Novos produtos na calha, técnicas ou outros tipo de materiais?

Recentemente fiz uma inovação na marca que foi a criação da mochila impermeável. Queria fazer algo mais desportivo, mas elegante, com o mesmo conceito de conjugações de cor. É algo que tinha muita procura, sobretudo para público nórdico e para inverno. A nível de materiais tive que fazer alterações, o que foi também um desafio, pois tive que aprender a manejar novos matérias primas e a perceber as possibilidades. Fiquei muito feliz com o resultado e a receptividade.

Onde ou com quem gostavas de ver as tuas Handmade bags? ( loja conceituada / personalidade / figura pública ) e porquê ?

Felizmente, ao longo dos anos já colaborei e colaboro com lojas portuguesas muito conceituadas a nível de artesanato contemporâneo português. Este ano consegui uma nova parceria com uma loja Holandesa, mas gostaria de explorar o mercado do Norte da Europa (Dinamarca, Noruega, Alemanha), são um dos principais públicos alvo da marca. gostaria de ver a  Lana Del Rey com uma das minhas mochilas, para além de gostar do seu estilo musical, gosto da estética que a identifica.

Se hoje encontrasses a Joana Candeias na rua, com os seus 15/16 anos, o que lhe dirias? Tentavas mudar alguma coisa do seu trajecto?

Se a visse, diria que tomou a opção certa, sobretudo porque seguiu a sua intuição e os seus sonhos. É preciso arriscar e fazer escolhas em prol da realização pessoal, só assim a vida tem sentido. Há outras áreas que também poderia ter escolhido, mas poder criar e expressar o meu estilo próprio é sem dúvida algo que agradeço todos os dias. Poder viver daquilo que se cria e idealiza, é algo que acaba por se tornar um estilo de vida e não só um trabalho, pois absorvemos as coisas de forma diferente, e tudo pode ser um estimulo à criatividade e a novas possibilidades.

Tens alguém responsável pelas fotografias das peças/edição de imagem?/ Qual a melhor forma de transmitir o conceito da marca, produção fotográfica ou ambiente de atelier? 

Todas as fotos das peças/edição em atelier, estúdio ou outdoor são feitas por mim. Com a experiência já consigo perceber qual o melhor tipo de luz, enquadramento, ângulos etc para comunicar as peças da melhor forma possível. Como o processo de criação e confecção passa todo por mim, é importante ir capturando esses momentos espontâneos da produção, e que ajudam a criar maior ligação com o cliente final. Mas gosto muito de enquadrar as peças em ambientes outdoor, para se perceberem as proporções das peças e até para haver ligação com as minhas inspirações de cores e texturas. Todas as formas de comunicar o produto final são importantes, umas incidem mais nos pormenores e detalhes, outras ajudam a realçar o design e a funcionalidade. 

Assim sendo, aqui fica uma pequena amostra das variadas utilizações que as Sporty Backpacks podem ter e lembrem-se de as encomendar através das redes sociais da Joana – Instagram ou através do seu blogue.

Esperemos que tenham gostado! 

Cumprimentos, 

The B Blog Team

Written by the B blog
.