31 de Dezembro de 2019…o mundo prepara, como é habitual, a entrada num novo ano, a entrada em 2020, um ano que só pela sua numerologia, criava uma expectativa diferente, positiva, a esperança de que algo melhor viesse neste novo ano!

Cedo se começa a assistir aos já esperados espectáculos de passagem de ano por todo o mundo, começando pelas ilhas no Pacífico e Austrália e seguindo-se de hora a hora outras localizações até chegar a nossa, estejamos nós onde estivermos. Assim foi mais uma passagem de ano, com festa, folia e sempre com a esperança de algo ainda melhor em relação ao ano que deixamos para trás.

Votos de saúde, felicidade, trabalho e uma vida sã, segura e próspera são alguns dos votos que por todos o mundo milhares de pessoas lançavam ao novo ano, ao som das 12 badaladas e acompanhando-se das mais variadas tradições (as 12 passas são uma das nossas).

No entanto, por estes dias já uma ameaça a toda a humanidade crescia e, apesar de timidamente noticiada, cedo viria a mudar o curso de 2020…desenvolvera-se e estava agora a espalhar-se de forma rápida, descontrolada e fatal um vírus, o Sars-Cov-2 ou como ficou apelidado, o Covid-19.

Rapidamente a ameaça cresceu, passou de um surto local na cidade chinesa de Wuhan para uma ameaça a toda a China com registos de largos números de infectados e um crescente número de mortos e inevitavelmente, a disseminação deste mesmo vírus pelo mundo, país por país, continente por continente e nos primeiros meses do ano já o vírus habitava praticamente em todos os locais do nosso planeta!

Num mundo que jamais esperaria tal acontecimento e muito menos preparado estava para o sucedido, viriam a registar-se números de infecções e consequentemente mortes, elevados e excessivos em muitos países, incluindo os ditos mais desenvolvidos pois uma das primeiras coisas que este vírus revelou foi que país algum tinha um sistema de saúde eficiente o suficiente para suportar uma pandemia e a necessidade de hospitalizar um elevado número de pessoas num curto espaço de tempo. As respostas de emergência, hospitais de campanha e todas as medidas que se tomaram para combater directamente esta ameaça revelaram-se insuficientes e o vírus continuou a avançar, a ganhar terreno e a fazer cada vez mais baixas.

Uma nova medida para combater esta pandemia viria colocar o nosso paradigma de mundo livre do avesso pois logo em Março de 2020 muitos países fecharam fronteiras, as viagens entre países foram limitadas ou até interditas e em muitos países, incluindo o nosso, foram recomendados a redução de contactos físicos e distanciamento social, mesmo daqueles que nos são mais próximos e foram impostos recolher obrigatório e períodos de confinamento. Para a sociedade moderna e principalmente nós que fazemos parte da cultura latina, onde o contacto físico, a socialização e a interacção com as pessoas é prática habitual, veríamo-nos numa situação nunca antes vivida. Um paradigma que viria e veio alterar o modo como vivemos, como convivemos e inclusive como trabalhamos ou executamos tarefas corriqueiras do dia a dia!

A máscara passou a ser acessório obrigatório para nossa protecção (e principalmente dos outros), os locais públicos passaram a ter lotação máxima longe da sua normal capacidade, muitos serviços e empresas passaram a laborar de forma remota, os restaurantes e as refeições “fora de casa” passaram a ser entregues à nossa porta, as crianças e jovens frequentaram uma escola remota a partir dos seus lares entre muitos outros comportamentos que tiveram de ser alterados e adoptados, colocando em causa uma normalidade e um estilo de vida que jamais colocaríamos em causa!

Se no dia 31 de Dezembro de 2019 nos dissessem que seríamos privados de todas estas coisas e outras a que fomos obrigados por esta pandemia, levaríamos tal afirmação como uma brincadeira que, no entanto, se tornou a nossa realidade! O vírus instalou-se no nosso mundo, na nossa realidade, manipulou as nossas vidas, levou-nos familiares, amigos, conhecidos ou simplesmente seres humanos em grande número e persiste a incerteza sobre o futuro, sobre a resolução desta pandemia e sobre a irradicação desta doença que a todos afecta!

Hoje, dia 31 de Dezembro de 2020 vivemos uma realidade que nunca esperámos viver. Fazendo uma retrospectiva do ano que passou, difícil é apontar os momentos marcantes dado que grande parte do nosso ano foi vivido em confinamento, contenção, distanciamento social…pouco fizemos, pouco foi feito, muito se perdeu!

Pessoalmente, 2020 não fica esquecido nem é apagado da memória…fui pai pela primeira vez, pelo que nem só de coisas negativas foi feito 2020! Também desta forma, 2020 mudou a minha vida! 🙂 

Entretanto, a escassas horas do início da passagem de ano por todo o mundo, grande parte dos festejos foram cancelados ou contidos para evitar ajuntamentos e aglomerados de pessoas, em mais uma tentativa de conter a transmissão do vírus, os serviços de saúde continuam sem mãos a medir no tratamento de pacientes Covid-19, muita coisa nas nossas vidas familiares e profissionais ficou em stand-by, repensamos hoje sobre a normalidade que será possível adoptar e quão diferente será daquela que conhecíamos, uma passagem de ano diferente de todas as outras e provavelmente de todas as outras que virão no futuro!

Mas nem tudo mudou, hoje, prestes a entrar num novo ano, os votos prevalecem e repetem-se inalterados: votos de saúde, felicidade, trabalho e uma vida sã, segura e próspera!

A equipa do The B blog deseja a todos um feliz 2021, muito diferente de 2020, muito melhor que 2020, um 2021 a caminho da normalidade e da reposição das nossas vidas, seja qual for essa nova normalidade!

Bem haja e saúde para todos!

Written by Benjamim Pitacho
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