Pela 23ª vez, realizou-se o já muito conhecido evento entre os adeptos das duas rodas e de longas viagens por terras nacionais, o Portugal de Lés a Lés. Esta edição, com um especial detalhe, pois a juntar ao desafio que é só por si de percorrer Portugal de uma ponta à outra, este ano a organização brindou os participantes com o percurso a focar-se principalmente numa, senão a mais, famosa estrada do nosso país, a Nacional 2, que tem o seu quilómetro zero em Chaves e o quilómetro 738 em Faro. Seriam estas as cidades que definiram respectivamente o inicio e o final desta edição…de Chaves a Faro em 3 etapas! Mas já lá iremos aos detalhes de cada etapa…

Seria junto às margens do Tâmega, no parque urbano em Chaves que se concentrariam todos os participantes, mais de 2000 motos e muito mais pessoas, para receberem toda a informação necessária para os quatro dias de aventura (3 dias de etapa e o passeio pela zona de Chaves no primeiro dia). Entre toda a informação, dorsais e coletes, está o road book! Se por um lado os tempos evoluem e a tecnologia vem facilitar em muitos aspectos, este evento prima por manter-se tradicional ao velho rolo de papel com todas as indicações aos participantes para que cheguem a bom porto!

Dia 1 – Passeio de Abertura – Rota do Contrabando

Entre os vários stands e representações de marcas e patrocinadores desta edição, vamos vendo participantes por toda a parte, colando sucessivas folhas A5 para posteriormente enrolarem as mesmas nos leitores de road book, alinhar a primeira página e preparar a partida para o primeiro dia de evento, um passeio circular (inicio e fim em Chaves) para que os participantes possam, não só conhecer um pouco mais desta zona, como também para se ambientarem à navegação por road book. Certo é que para os veteranos neste evento, este aspecto é trivial, no entanto para qualquer estreante, a ideia de ter de contabilizar quilómetros totais, quilómetros parciais, “zerar” quilómetros, ir percorrendo e lendo o road book enquanto conduz é só por si complexa e a tarefa não é para menos. Os enganos por vezes podem exigir voltar atrás vários quilómetros para retomar determinados pontos de referência e voltar ao percurso, seguindo correctamente as instruções.

Juntamente com o road book, um outro elemento que este ano acompanharia os participantes era o Passaporte da Nacional 2, que tem como objectivo ser carimbado nas várias localidades por onde passa esta estrada e o objectivo final seria ter todos os carimbos, significando que teríamos percorrido toda a Nacional 2, do inicio ao final, de Chaves a Faro!

Mas voltemos ao passeio de abertura, que começa, como seria de prever, pela passagem pelo KM 0, o inicio da Nacional 2 que muitos ambicionam percorrer. Seguiu-se o miradouro de Chaves (Miradouro de S. Lourenço) de onde era possível vislumbrar Chaves e toda a sua envolvente, passagem pelo Clube Motard de Chaves, que foi uma das entidades envolvidas no apoio à organização do Lés-a-Lés e assim continuávamos o passeio, por cidades, vilas e aldeias deste pedaço de Trás os Montes – Faiões, Santo Estevão, Monforte, Oucidres, passagem pela famosa Pedra Bolideira, continuando por Mairos, Vilarelho da Raia, Cambedo da Raia e regresso a Chaves.

Findo o passeio que para nós terminaria no inicio da tarde, rumámos por nossa iniciativa até outras aldeias próximas para conhecermos mais um pouco, revermos alguns locais e continuar a apreciar as magnificas paisagens que esta zona do país nos faculta de tão características, peculiares e únicas que são!

De regresso a Chaves, lá fomos jantar para depois regressar ao alojamento, preparar o road book das 3 etapas e repousar, afinal a aventura estaria ainda no início e muitos quilómetros tínhamos ainda pela frente! 

Dia 2 – 1ª Etapa – Cinco Serras, Cinco Termas

Novamente perfilados em Chaves, os participantes iniciam a primeira etapa deste Portugal de Lés a Lés. Agora desfasados e organizados em horários, cada equipa de 2 elementos sai no seu respectivo horário e inicia a sua etapa. A etapa inicia como se iniciara o passeio do dia anterior, com a passagem pelo KM 0 da Nacional 2, desta vez, seguindo por essa mesma via, a Nacional 2. Esta seria uma etapa com 245km (a mais pequena das 3 etapas) e passaria por locais como Vila Pouca de Aguiar, Vila Real, Santa Marta de Penaguião, Peso da Régua, Lamego, Castro Daire e terminaria em São Pedro do Sul.

Uma etapa que nos levava pelas paisagens rochosas, típicas do norte de Portugal, passando depois às famosas vinhas em socalcos que dão origem, não só ao Vinho do Porto, como a muitos outros vinhos característicos da região do Douro.

Um dos aspectos que marcaria esta etapa seria a passagem pelas termas. Dada a proximidade de cursos de água e recantos com praias fluviais ou represas, era inevitável que as termas surgissem pelo percurso…termas de Chaves, Pedras Salgadas, Vidago, Caldas do Moledo e São Pedro do Sul foram alguns desses pontos de passagem.

Outro aspecto que marcaria esta etapa seria o seu percurso por zonas de serra, que naturalmente proporcionavam aos participantes uma estrada serpenteada onde era possível desfrutar de curvas, contra-curvas e mais curvas! Uma diversão natural para quem anda de mota e uma quebra na rotina (que só por si é inexistente neste evento, dadas as constantes surpresas que a organização prepara e o road book nos vai revelando!).

Finalmente chegados a São Pedro do Sul, terminaríamos esta primeira etapa e contávamos já com 8 carimbos no passaporte!

Dia 3 – 2ª Etapa – Ao encontro dos montados

De partida para a segunda etapa, com inicio em São Pedro do Sul, esperavam-nos agora 299km de estrada. Mantendo-nos na Nacional 2, passaríamos agora por Viseu, Tondela, Santa Comba Dão, Mortágua, Penacova, Vila Nova de Poiares, Lousã, Góis, Pedrógão Grande, Sertã, Vila de Rei, Sardoal e terminaríamos finalmente em Abrantes.

Nesta etapa, continuaríamos a ter pela frente percursos por serra e onde há serras, há vales e cursos de água ou rios…estes últimos foram uma constante ao longe desta etapa – rio Mondego, Vouga, Dão, Alva, Ceira, Sotão, Zêzere, Tejo e ainda algumas ribeiras como as de Lobão, Sinhel, Mega, Sertã, Isna e Codes. E com tantos cursos de água, muitos foram os pontos de passagem com pontes antigas, tradicionais ou peculiares, jardins e praias fluviais e alguns aspectos que remontam às actividades antigas que se exerciam nestes locais, como a passagem por um antigo moínho de água com a sua roda ainda em funcionamento.

Se na etapa anterior faríamos o roteiro das termas, nesta poderíamos fazer o roteiro das praias e recantos fluviais! Sem dúvidas muitos locais a registar para mais tarde regressar e revisitar! Curiosamente, voltámos a fazer mais um desvio entre Góis e Pedrogrão Grande, que nos levou a aldeias outrora habitadas, mas que por força do êxodo seja pela procura de melhores condições de vida ou por outros motivos, se tornaram praticamente desertas. No entanto, acima de tudo é bom ver que as coisas boas se mantêm, embora a emoção e a nostalgia tenham sido bastante acentuadas neste percurso. 

Já em Abrantes, terminaríamos esta segunda etapa e tínhamos mais 13 carimbos no passaporte!  

Dia 4 – 3ª Etapa – Alentejo, bonito Alentejo!

Ao 4º dia de Lés a Lés (5º em viagem!) tínhamos pela frente a etapa mais longa das três, com 387km de estrada para percorrer, ligando Abrantes a Faro. Seria uma etapa principalmente alentejana com passagem por Ponte de Sor, Avis, Mora, Montemor-o-Novo, Viana do Alentejo, Ferreira do Alentejo, Aljustrel, Castro Verde, Almodôvar, São Brás de Alportel e finalmente Faro.

Ao contrário das duas outras etapas e de forma previsível, esta etapa trocaria as curvas, serras e vales por vastas planícies e longas rectas a perder de vista. Se por um lado era a etapa mais longa, por outra, estas características ajudavam a percorrer mais quilómetros em menos tempo comparativamente com as etapas anteriores. E do Alentejo, o que poderíamos dizer?…Montes, sobreiros, gado, vastos olivais, searas e outras culturas…o coração da agricultura deste nosso país e seriam essas as paisagens que nos acompanhariam por grande parte desta etapa!

Um dos destaques desta etapa foi a oportunidade que tivemos de entrar e percorrer parte das minas de Aljustrel, um privilégio que poucos terão oportunidade de experimentar.

Deixando o Alentejo para trás, a entrada no Algarve seria feita novamente em serra, com um último percurso de curvas e rapidamente chegávamos a Faro, com mais 14 carimbos no passaportes e onde mais uma vez a festa do Lés a Lés e o palanque nos aguardavam, desta feita, pela última vez, para nos despedirmos desta 23ª edição!

Em jeito de resumo.. 

Muito se fala da Nacional 2 como sendo uma rota, comparando com que se deve percorrer pelo menos uma vez na vida e de facto é verdade. Esta foi sem dúvida uma experiência única, claramente cheia de surpresas boas e acima de tudo, emocional. Foi uma viagem longa, em que no geral percorremos cerca de 2.200 km, desde a ida para Chaves, até ao regresso a casa, onde pudemos passar desde o trilho mais acidentado até à estrada mais sinuosa, passando também por inúmeras serras, paisagens dignas de postais e também rectas sem fim. Contudo, verificámos que o interior do país está a necessitar de apoio. O turismo é uma actividade extremamente dinamizadora do comércio e economia locais e nada como uma viagem destas para ir parando de aldeia em aldeia, vila em vila, e ajudar um pouco. Ainda assim, achamos que deveriam haver mais iniciativas para dinamizar o interior deste pedaço de terra à beira mar plantado. Quase que podíamos dizer que a nossa N2 é como a Route 66 dos EUA. Quer dizer, quase não, é com toda a certeza! 

Agradecimentos

Esta viagem não poderia ser possível sem o apoio de certas entidades, sem as quais seria impossível cumprir este objectivo :

Motomil BMW Motorrad  – pelas fantasticas BMW GS 1250 edição 40 anos – sem dúvida, a escolha certa para uma viagem destas! 

Cool Garage – pelos dois capacetes trail, um em carbono outro em amarelo – sem dúvida bastante apelativos ! 

Motoni e Interphone – pela cedência dos intercomunicadores, que sem dúvida tornaram esta experiencia mais pessoal,  permitindo a comunicação constante entre nós.

RSW Motowear – pelos casacos e calças  de protecção utilizados durante esta viagem.

Obrigado a tod@s pelo apoio durante esta fantástica viagem! 

Cumprimentos, 

The B Blog Team

Written by the B blog
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