Em tempos de pandemia, aproximando-se mais umas férias (as anteriores, passadas praticamente em confinamento) e num momento em que finalmente nos era permitido fazer algumas deslocações, surge a ideia de seguir a velha máxima “vá para fora cá dentro” e definimos como destino um dos arquipélagos que ainda me era desconhecido, o arquipélago dos Açores. Neste caso concreto, com visita planeada para as ilhas de São Miguel e Terceira.

Neste post focarei na ilha de São Miguel e num próximo post farei a reportagem relativa à ilha Terceira! Fica desde já o disclaimer de que este post não é um top 10 locais a visitar em São Miguel, nem uma lista de recomendações ou locais a serem visitados/actividades a serem realizadas, até porque cada pessoa tem a sua forma de viajar, os seus objectivos e as determinações ao visitar umd eterminado local! Assim, este post descreverá os locais por onde passámos, o que fizemos e aquilo que, na nossa opinião, era o ideal para esta visita à ilha! Portanto, sim, houve coisas, locais e actividades que não vimos/vizitámos/fizémos mas esta foi a nossa viagem! 😉

Assim, saltando o normal planeamento que toda a viagem requer (ou não!), a viagem começa inevitavelmente uns dias antes de embarcar no avião, com a realização do teste PCR. Este era um procedimento exigido pelo governo dos Açores, actualmente com os certificados a situação já será diferente, mas nada como consultar as informações actualizadas aqui.

Dia 0 – A viagem, com um estreante a bordo!

No dia de voarmos para os Açores, tínhamos o nosso primeiro desafio, afinal viajávamos com um pquenote de 17 meses, seria a sua primeira viagem de avião e para nós uma completa incógnita… Será que dorme? Será que terá problemas com a pressão? Será que fará a viagem calmo e sereno (LOL!)?…um desafio que durou 2h e a imagem fala por si… 😀

Chegados aos destino e porque o voo chegava por volta das 16h a Ponta Delgada, entre levantar carro (se procuram uma opção, recomendo a Micauto) e fazer o check-in no remodelado Hotel Gaivota, mesmo junto à marginal, com vista para a marina e o Oceano, restou-nos o final do dia para uma visita pela zona histórica de Ponta Delgada. E assim começarmos por conhecer a capital dos Açores com uma arquitectura muito caracteristica, assente na rocha vulcânica, não fosse esta uma ilha com essa mesma origem.

Dia 1 – Sete Cidades e a surpresa!

O dia seguinte começa cedo, para o rentabilizarmos bem e tínhamos como objectivo visitar as Sete Cidades e algumas das suas lagoas, nomeadamente a Lagoa Azul e Lagoa Verde, pois havia uma surpresa preparada para este local, em parte, pelo que a lenda destas duas lagoas simboliza…pistas suficientes para imaginar do que se tratará?! 🙂

Mas antes, há que nos preparar com estilo para ir passear!

E agora sim, façamo-nos à estrada! A ilha em si, apesar de ser a maior do arquipélago dos Açores, é rapidamente circundada ou atravessada, pois existem as vias rápidas, as estradas nacionais e até muitos caminhos de terra batida pelo meio do campo. Estes últimos seriam muitas vezes a nossa opção de caminho, permitindo-nos conhecer e ver certos recantos que de outra forma não passaríamos por eles. O nosso carro era um comum utilitário de 5 lugares, nada do outro mundo ou com caracteristicas fora do normal, no entanto revelou-se suficiente até para estes caminhos mais acidentados que de resto permitiam uma normal viagem, apenas num registo mais lento que por outras vias.

Um dos pontos curiosos pelo caminho é um antigo aqueduto abandonado, o Aqueduto do Carvão, que a natureza literalmente se apoderou dele, revelando nas suas faces, diferentes colorações de musgo e vegetação, o que o torna uma infra-estrutura em tempos usada pelo homem, agora parte integrante da natureza e da sua paisagem natural.

Pouco depois deparávamo-nos com a primeira lagoa, não as que tínhamos como objectivo principal mas sim a Lagoa do Canário. Numa breve descida a pé por entre o bosque/floresta, chegaríamos a esta lagoa que pela sua paisagem e fauna, vale a visita! É uma pequena lagoa mas a sua localização e isolamento, dando ideia de ser uma espécie de antiga cratera vulcânica, fazem-nos sentir em paz, num silêncio apenas perturbado pelos sons da natureza.

Seguindo a nossa viagem, avistaríamos pela primeira vez as famosas Lagoa Azul e Lagoa Verde, a partir do Miradouro do Cerrado das Freiras, presenteando-nos com uma paisagem única! Daqueles locais que provavelmente estamos carecas de ver em postais, sites e afins…mas visto ao vivo, sentir a dimensão do local e o seu impacto enquanto fenómeno da natureza, são sempre uma experiência única, indescritivel, portanto…aqui ficam mais fotos!! 😀

Num sobe e desce pelas estradas que serpenteavam esta cratera, em poucos minutos estávamos do miradouro a contemplar as lagoas nas suas margens!

E como havia dito anteriormente, a surpresa…”oficializar” a união do papá e da mamã! 😀

Um pedido de casamento junto às lagoas que, reza a sua lenda, foram originadas de um amor impossível entre uma princesa e um pastor…uma estória que dá simbolismo a este local e que me pareceu ser o local indicado para este momento! Só me faltam as ovelhas para ser o pastor, já tenho a princesa e o pequeno principe!

Depois de muita surpresa, emoção e alegrias, continuámos a partilha deste momento ao almoço na localidade de Sete Cidades, mantendo-nos ainda pelas margens das lagoas. A viagem seguia para a ponta Oeste da ilha e em poucos minutos desciamos até às Piscinas Naturais de Caneiros, um conjunto de piscinas criadas naturalmente por entre a rocha ulcânica, que muitos aproveitam para se banharem nas águas do Atlântico!

Regressando à estrada, traçámos a nossa rota para regressar a Ponta Delgada, tentando sempre evitar repetir estradas e locais. Assim, tivemos novamente o prazer de disfrutar da paisagem sobre a Lagoa Azul e Lagoa Verde, de um outro ângulo, desta vez a partir do alto do Miradouro das Cumeeiras.

E na descida em direcção ao oceano, sempre com o olhar atento dos “locais” que dominam as serras e montes da ilha…

…com direito a oferta de lanche!! 😀

E já junto ao mar, na praia de Riberia Grande, fomos meter os pés na areia, de cor bem diferente da areia de praia a que estamos habituados…ainda que para este pequenote, pouco tenha estranhado e isso não o impediu de continuar a sua brincadeira à beira mar! 🙂

E terminávamos desta forma o nosso primeiro dia de visita à ilha, rumando depois a Ponta Delgada, onde estavamos alojados e iriamos descansar para mais dias de passeio e aventura!

Dia 2 – Miradouros, Portos e Chá!

Segundo dia de visita à ilha e lá ía-mos nós novamente à descoberta do que este local tinha para nos oferecer! Não tiínhamos propriamente um destino definido, apenas algumas referências e lá nos fizémos à estrada, no sentido oposto do dia anterior, sempre tentando não repetir percursos, em direcção à localidade de Ribeirinha.

Neste local, o primeiro ponto de referência foi o Miradouro do Cintrão, bem como o Farol do Cintrão, localizado uns metros abaixo do miradouro, que nos permitem ter mais uma magnifica vista sobre a costa da ilha!

Ao regressar do miradouro, meio discreto, apercebemo-nos de uma estrada cortada ao trânsito, que descia, parecia-nos, até ao mar. Atendendo a que o percurso a pé era possível e permitido, fomos espreitar o que havia ao fundo dessa mesma estrada. Chegaríamos ao Porto de Santa Iria, um porto que outrora terá servido as necessidades da ilha, para actividades pescatórias ou outras (não havia qualquer informação ou detalhes sobre o que terá sido em tempos este local), hoje em ruínas e com as suas estruturas e “maquinaria” dominadas pelas forças da natureza e pela ferrugem! Não deixa de ser um sitio interessante pois a curiosidade aliada ao isolamento e mistério que o local nos transmite, levantam-nos muitas questões sobre a origem, a utilidade e o que levou ao actual estado deste local!

Feita a visita ao porto, é tempo de regressar…e se até ao porto o caminho era a descer, agora havia que se fazer uma caminhada a subir até ao ponto onde deixámos o carro. Um pouco de exercício para quebrar a rotina da viagem de carro! 🙂

Mais uns quilómetros (poucos) e mais uma paragem para contemplar a vista…sim, é mais um miradouro (existem inumeros por toda a ilha) mas cada um tem uma paisagem única e peculiar…além disso, esticar as pernas, apanhar ar e deixar o pequenote correr um pouco pela rua também faziam parte do programa! Desta vez, a paragem seria no Miradouro de Santa Iria (uns minutos antes estávamos no porto, agora estávamos no respectivo miradouro!).

Seguindo novamente do alto dos montes para o nível do mar, a viagem prosseguia para uma paragem mais prolongada e molhar os pés no Oceano! Fomos até Moinhos, uma pequena localidade, onde até para estacionar é complicado, dado que o acesso à praia se faz por uma estreita rua e os lugares de estacionamento são poucos. No entanto, a praia vale a pena, pela sua localização resguardada pela encosta rochosa, pacata porque é visitada por poucos (os acessos a isso ajudam) e devidamente cuidada, com o mar também pouco agitado e pequenas ondas!

Gastas algumas energias pelo areal, prosseguimos viagem. Pelo caminho faríamos a paragem para almoço e mais umas brincadeiras pela rua e finalmente seguiríamos rumo a outro bem conhecido ponto de interesse e de visita da ilha…

Dispensa grandes apresentações…a Fábrica de Chá Gorreana é já uma referência não só da ilha de São Miguel como a nível nacional na produção de chá! Estando a fábrica aberta, a visita justifica-se, afinal não é todos os dias que nos cruzamos com uma fábrica desta especiaria! Um belo final de tarde, contemplando não só o processo de fabrico como as plantações dispersas à volta da fábrica, pintando de verde, uma ilha per si já dominada por esta cor! 🙂

No regresso a Ponta Delgada, por caminhos não tão frequentados, tivemos alguns encontros não propriamente inesperados, pois já sabemos que isso é a realidade da ilha, mas não deixa de ser sempre caricato quando a vida na natureza se cruza diante de nós!

Dia 3 – Furnas

Neste terceiro dia, o objectivo principal seria a visita às famosas e tão faladas Furnas de São Miguel! Assim, tendo o objectivo definido mas sem percurso para lá chegar, seguimos caminho à descoberta dos montes e vales da ilha!

Um detalhe, que pode definir a nossa preferência de visita à ilha: se nos dois dias anteriores, percorremos principalmente a costa de São Miguel e consequentemente as paisagens são de pequenas aldeias e vilas pescatórias, arribas, penhascos, oceano e praias, seguindo pelo interior da ilha mergulhamos na natureza, no verde, nos recantos dos parques naturais e na vegetação dos prados por onde pastam as tão famosas vaquinhas!

Neste dia o nosso percurso seguiria precisamente esta segunda via, o interior da ilha.

Um dos locais pelo qual nos cruzámos e vale sem dúvida a paragem foi a Lagoa do Congro! O seu acesso não é fácil…primeiro, o percurso de carro é um pouco sinuoso até ao ponto em que entramos na floresta propriamente dita, havendo quem opte por deixar os carros no inicio do caminho de terra batida e prosseguir a pé. Chegados à entrada do trilho, pelo meio de arvores, rochas e muita vegetação, questionamos onde está realmente a lagoa…pois o trilho segue durante alguns metros a descer, dando-nos a clara ideia de que estamos a descer para a base de uma qualquer cratera (não sei ao certo, mas provavelmente terão pela frente uma descida de cerca de 1km desde o inicío do trilho).

Nuna conseguimos ver a lagoa até chegarmos realmente à base desta cratera e à sua margem…um pequeno local mas que (na nossa opinião) justifica o esforço e a caminhada, pois a paisagem é mais uma vez única e fantástica!!

Com esta paragem e mais uma ou outra em zonas também de visita com alguns trilhos pela natureza facilmente deixamos passar parte do dia (de férias o tempo voa, certo?) 😀

Já depois do almoço, continuamos o nosso passeio, rumo ao objectivo do dia, as Furnas de São Miguel. Antes de chegarmos, uma vista da lagoa e das furnas a partir do Miradouro do Pico do Ferro.

Mais uns poucos quilómetros e chegamos finalmente à entrada para as frunas. O primeiro aspecto a ter em conta é que o acesso ao local é pago (bilhete diário por pessoa). Já nas furnas, é um espaço que facilmente podemos passar um dia completo…entre a lagoa, as furnas, os cozidos que ali são preparados, as instalações que convidam ao pic-nic e os trilhos pela natureza que envolve toda a lagoa, várias são as distrações e actividades que temos à disposição. Em última instância, podemos simplesmente ficar sentados a dar de comer aos patos que por ali passeiam 🙂

As furnas são um elemento natural tão curioso quanto a lagoa em si ser de água fria (naturalmente) no entanto nalguns locais das suas margens a temperatura é elevada ao ponto de em 1 ou 2 minutos conseguir aquecer o lanche do pequenote! 😀

De saída da lagoa das Furnas, 2 ou 3km à frente encontramos um local de nome Caldeiras, local este onde existe muita actividade vulcânica, desde pequenos lagos cuja água está em ponto de ebulição, buracos (caldeiras) que expelem gases do subsolo (enxofre?!) e até várias fonte de água que segundo os locais, é água não só potável, como aparentemente tem efeitos medicinais. Como já estávamos no final do dia, não houve oportunidade para aprofundar este assunto ou conhecer um pouco mais deste local e as suas particularidades (nomeadamente esta questão da água com propriedades peculiares).

Dia 4 – Jardins, Natureza e muito verde!

Quarto e último dia desta visita à ilha de São Miguel, o rumo seria a parte da ilha que nos faltava visitar (ainda que haja muito mais do que o referido neste post para se visitar!!), a zona nordeste da ilha. Um dos pontos de paragem e que recomendamos, tanto para apreciar a vista como fazer uma paragem/lanche/pausa ou até para caminhada é o Miradouro do Pelado. Este é um miradouro com muita da sua flora documentada e identificada, para quem gosta de explorar a natureza, tem alguns trilhos junto às falésias pelos quais é possível caminhar e tem também algumas mesas nas quais podemos sentar e apreciar mais uma vez a vista sobre o Oceano Atlântico.

Continuando a viagem e de forma quase despercebida, demos com o Jardim Botânico da Ribeira do Guilherme. E digo quase despercebida porque a entrada para este jardim está localizada debaixo de um viaduto que é a estrada por onde se circula e consequentemente o mesmo não salta de imediato à vista de quem passa. Um local “refundido” (pelo já explicado) mas que foi uma bela e agradavel surpresa! Estavamos perante um jardim uma uma grande diversidade de plantas, árvores e flores, com uma bela cascata, um moínho de água dentro do qual ainda é possível ver como funcionavam, pois continua em modo exposição a funcionar com o curso de água da ribeira que corre mesmo ao lado do jardim e é mais um local onde com muita paz e sossego se podem passar momentos de descanso, leitura ou outra qualquer actividade que exija um ambiente mais calmo e isolado de confusão.

Continuando com a nossa viagem pelo nordeste da ilha, rapidamente chegamos a outro belo local, também ele recheado de natureza e claro, miradouros para desfrutar das vistas…falo do Miradouro da Ponta do Sossego! Se os locais anteriores já os tinha referido como pontos onde não só podemos apreciar uma variada flora num espaço de jardim muito bem cuidado e mantido, como este é um magnifico espaço para passar alguns momentos em harmonia com a natureza, desde as plantas que nos circundam ao mar que lá em baixo se faz ouvir. As imagens falam por si…um local a visitar!

E para terminar o dia e a nossa viagem por esta ilha em grande, uma passagem por um dos locais mais proferidos pelos portugueses e que pretende ter um significado especial…pois bem, pode ser longe, mas cheguei lá!! 😀

Com este check na bucket list, fica a faltar visitar “Onde Judas Perdeu as Botas”!! 😀

E assim termina a nossa visita de quatro dias (completos) pela ilha de São Miguel. No dia seguinte, logo bem cedo estaríamos a apanhar o avião para visitar a Ilha Terceira…mas essa deixamos para um outro post!

Em jeito de resumo, listo os locais que foram referidos ao longo deste post, com link para o Google Maps, o que poderá ser uma ajuda para quem visita a ilha e pretende saber onde se localiza cada um dos locais:

Sem dúvida uma ilha a visitar, uma opção muito válida e recomendada de um “vá para fora cá dentro” e da amostra que tivemos nesta viagem (visitámos 2 das 9 ilhas do arquipélago), vale a pena! São destinos nacionais, com viagens pouco demoradas e com uma grande versatilidade no que ao turismo diz respeito…seja pela visita e contemplar a beleza natural das ilhas, uma viagem de aventura, uma viagem de desporto ou muitas outras modalidades de turismo, qualquer uma delas, terá muito com que se ocupar neste belo arquipélago!

Até à próxima viagem/aventura,
Benjamim

Written by Benjamim Pitacho
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